sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Luas na Cidade Alta de Natal!

O espetáculo "De Janelas e Luas" será apresentado amanhã - sábado, dia 14 de Dezembro de 2013 - às 16h no Espaço Cultural Ruy Pereira, popularmente conhecido como "beco do Zé Reeira" na rua Professor Zuza, Cidade Alta, Natal - RN.
A apresentação será gratuita, e tod@s estão convidad@s!


Foto: Tiago Lima

Mais uma vez no sertão!

O espetáculo "De Janelas e Luas" apresentou-se no IFRN da cidade de Pau dos Ferros - RN, na sexta-feira, dia 06 de Dezembro de 2013. A apresentação fazia parte da programação da Semana de Ciência e Tecnologia 2013, que aconteceu nos dias 02 a 06 de dezembro.

Em seguida fizemos um debate com o público, que se mostrou bastante interessado não apenas no espetáculo, mas na arte teatral. O debate durou quase uma hora, com perguntas inteligentes e conversa muito boa... Espero que muito em breve o IFRN de Pau dos Ferros tenha um professor de teatro, pra trabalhar com aqueles meninos tão sedentos de TEATRO!

Parabenizo o IFRN pelo belo evento, e agradeço muito pelo convite.

Seguem algumas imagens feitas por Marcílio Carvalho:














quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um olhar Vienense nas Janelas Brasileiras

No mês de Setembro o espetáculo De Janelas e Luas participou do I SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA: CORPO E PROCESSOS DE CRIAÇÃO NAS ARTES CÊNICAS, promovido pelo CIRANDAR - Grupo de Pesquisa em Corpo, Dança e Processos de Criação e pelo PPGARC - Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRN.

A apresentação foi no dia 16 de Setembro de 2013, no Teatro Laboratório Jesiel Figueiredo, no Dep. de Artes da UFRN. Na ocasião, tive a honra de ter na plateia a Profa. Angelika Hauser-Dellefant, professora e diretora do Instituto de Música e Educação do Movimento e Musicoterapia da Universidade de Música e Artes Cênicas de Viena (Áustria).

Angelika estudou Música e Movimento/Rítmica em Hannover, Alemanha; Teatro Gestual em Paris com Jacques Lecoq e Philippe Gaulier; e Educação do Movimento no Instituto do Método Franklin.

Para mim então foi um privilégio e uma alegria extrema receber suas palavras sobre o espetáculo, que compartilho agora com vocês:

Espetáculo teatral "De Janelas & Luas" inspirado no poema "Ismaliá" de Alphonsus de Guimaraens
Atriz: Mayra Montenegro
(Como palestrante convidada do "I Seminário International de Pesquisa" na UFRN aproveitei a programação noturna)

Como quase não entendo português, só pude acompanhar o espetáculo através das ações, imagens e climas apresentados. Para mim então tratou-se de uma experiência especial, já que normalmente ficamos presos à palavra falada, acreditando que as palavras carregam o conteúdo mais importante de uma peça. Como foi então?
O espetáculo me parece essencialmente um conjunto de cenas, ou fases distintas, apoiadas pelo uso de alguns objetos simples: dois panos grandes, um círculo de madeira, uma pequena boneca, uma lanterna, um barco de papel e um tamborete. Todos os objetos são usados várias vezes, de diferentes formas, em precisa coreografia. Os movimentos sem os objetos e uso da voz são executados com a mesma precisão, o que quer dizer que a peça toda é detalhadamente composta e coreografada. A peça convence pela mudança dos ambientes, as diferentes velocidades e os movimentos expressivos. Apesar de sua elaborada estrutura, a peça permanece muito viva graças à formidável atuação de Mayra Montenegro. Nada parece mecânico, tudo flui pela respiração. Seu tônus físico, a facilidade com que atua, o uso múltiplo de sua voz e sua poderosa presença levam o público junto com ela, até alguém como eu que não entende português. 

 Angelika Hauser-Dellefant


Tradução: Frank Düesberg (alemão) / Mayra Montenegro (inglês)


"De Janelas e Luas" no Teatro Jesiel Figueiredo
I Seminário Internacional Corpo e Processos de Criação nas Artes Cênicas - UFRN
 

sábado, 7 de setembro de 2013

De Janelas e Luas na UFRN

Depois de um período sem apresentações, ainda descansando, refletindo (e fazendo a prestação de contas) sobre o Projeto realizado com o patrocínio do Banco do Nordeste, o espetáculo De Janelas e Luas volta a se apresentar!

De Janelas e Luas participará do I SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA: CORPO E PROCESSOS DE CRIAÇÃO NAS ARTES CÊNICAS, promovido pelo CIRANDAR - Grupo de Pesquisa em Corpo, Dança e Processos de Criação e pelo PPGARC - Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRN.

O espetáculo fará parte da programação da noite de segunda-feira, dia 16 de Setembro, junto com outros dois espetáculos. O primeiro a ser apresentado é "Alumia", da Aviva Cia. de Dança. Em seguida, "De Janelas e Luas" e, por último, "O Menino Catador de Histórias", do ator Heráclito Cardoso.

As apresentações serão no Teatro Laboratório Jesiel Figueiredo (Departamento de Artes da UFRN), a partir das 19h. A entrada é franca!

Foto de Tiago Lima

O QUE:  De Janelas e Luas, solo de Mayra  Montenegro - Arkhétypos Grupo de Teatro. Direção: Eleonora Montenegro

QUANDO: 16 de Setembro (Segunda-feira)

ONDE: Teatro Laboratório Jesiel Figueiredo (DEART - UFRN)

HORÁRIO:  19h

QUANTO:  Gratuito!


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Janduís e Assú: missão comprida e cumprida!

Exausta... Realizadamente exausta... Assim começou a minha segunda-feira, dia 13 de maio. Dia de celebrar o fim da escravidão, e de pensar no quanto ainda falta para sermos todos livres de verdade... Livres de preconceitos, de ignorância, de miséria...

Ao final dessa jornada, dessas seis cidades visitadas, gosto de pensar que fiz algo importante. Foi um pouquinho só, mas foi o que pude (e mais até)... Gosto de pensar que contribuí com a formação artística de alguns grupos, de algumas pessoas. Acho que levei um pouco de poesia pra cada cidade.

A última viagem do Projeto De Janelas e Luas (patrocinado pelo Programa de Cultura do Banco do Nordeste / BNDES - Edição de 2012) matou dois coelhos numa só cajadada. Na verdade, não gosto dessa expressão... tadinho dos coelhos. Queria só dizer que visitei duas cidades numa só viagem!

Dessa vez quem me acompanhou e fez as vezes de produtora foi minha mãe, Eleonora Montenegro, diretora do espetáculo. Viagem de muitas celebrações: dia das mães, fim do projeto, primeira vez que ela vê o espetáculo depois de muito tempo (e com figurino, cenário, iluminação), primeira vez que me vê ministrar uma oficina (com um conteúdo cheio de coisas que ela me ensinou)... Um ciclo que se fecha, a vida que se renova sempre... Ensinamentos que passaram de vó para mãe, e de mãe para filha. O mais bonito é que cada uma guardou tudo com carinho e construiu verdades outras e ao mesmo tempo iguais, cada uma de um jeito, por um caminho que é só seu... Mas que não caminhamos sozinhas. Minha avó e minha mãe sempre estão comigo.
   
A viagem de ida foi tranquila. Na van de Seu Romualdo, música da melhor qualidade: de "Caçador de Mim" a "Hey Jude". Chegamos em Janduís - RN na quinta (09/05) de tardezinha. Ficamos hospedadas na casa que está sendo preparada para ser a sede da Cia. Ciranduís.
Jantamos uma sopinha maravilhosa na casa de Dona Dos Anjos. Não sei se era um restaurante, uma lanchonete, ou simplesmente uma casa que compartilha sua comida com os vizinhos a um preço bem pequeno. Muitos levam suas panelinhas pra buscar sopa e coalhada lá. Bonito de ver...

A oficina de Preparação Vocal aconteceu na quinta à noite e na sexta pela manhã, e teve como participantes atores de vários grupos de teatro da cidade. Era uma turma grande e curiosamente formada quase que só por homens, só duas mulheres se inscreveram. Pense num povo animado e disposto a trabalhar!... Estou louca pra fazer uma edição bacana com tudo o que foi filmado, pra mostrar a maravilha que foi ministrar essas oficinas.

Coincidência ou não, a chuva chegou com força em Janduís! Assim como em Umarizal, com direito a relâmpagos e trovões!... E o povo feliz! Disseram que vão mandar me buscar em fevereiro, que é quando os agricultores plantam, pra que eu "leve" a chuva de novo!...


Oficina de Preparação Vocal em Janduís

Ouvi histórias fantásticas do movimento cultural que acontece por lá... Antes a cidade de Janduís era conhecida pela violência, e hoje pelo Teatro de Rua!...
Infelizmente, dependendo de quem está no poder, eles não têm muito apoio. A Casa de Cultura, por exemplo, que foi fruto da luta desses grupos, hoje está abandonada e os grupos de teatro impedidos de utilizá-la. Isso não faz nenhum sentido... Ainda bem que não falta força, vontade e prazer em fazer teatro!

É importantíssimo falar que a maioria dos artistas que fizeram a oficina eram professores ou alunos de teatro. Através do teatro, crianças e adolescentes estão recebendo formação completa - conhecimento, cultura, desenvolvimento afetivo e social... E outros grupos estão surgindo na cidade. É incrível ver toda a cidade se transformar por causa da arte, e uma arte que valoriza sua própria cultura!

Fomos à Radio Comunitária falar sobre o espetáculo, em um programa de muita audiência: O Programa Radiola, com os divertidíssimos Antônio da Bacia e Pâmala Culpuar (interpretados pelos atores Rogério Silva e José Carlos - mais conhecido como ).

A apresentação aconteceu na Câmara Municipal, na sexta (10/05) à noite. Foi lindo ver o respeito deles pelo meu trabalho, mesmo sendo tão diferente do que costumam fazer. Fiquei feliz demais por ouvi-los dizer que o Projeto De Janelas e Luas os estimulou a pesquisar e estudar mais. Espero que essa turma não pare nunca...E que venham mais vinte anos para a Cia. Cultural Ciranduís, e para os outros grupos da cidade.

Não deixem de assistir o documentário do grupo no link abaixo:
CIRANDUÍS 20 ANOS

No sábado (11/05) de manhã bem cedo, combinamos com um motorista para nos levar para Assú. Só que o carro dele quebrou, e ele não nos avisou! Depois de muito esperar, ligamos para ele e descobrimos que precisávamos encontrar outra forma de ir pra Assú!
Lindemberg ligou pra todo mundo que conhecia até encontrar alguém que pudesse nos levar.
Agradeço demais todo o apoio que ele nos deu. Não posso deixar de agradecer também a Dona Lúcia, mãe de Lindemberg! Foi na casa dela que fizemos nossas refeições... Acho que engordei uns dois quilos, pelo menos. Comida maravilhosa, gosto de carinho mesmo.

Finalmente chegamos em Assú. Corremos para a pousada para engolir alguma coisa e nos trocar para o início da oficina. Jobielson, do Grupo Borná de Teatro, nos recebeu e nos levou até o prédio da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte - UERN. Tudo aconteceu lá e em apenas um dia! Pela manhã e à tarde ministrei a oficina, e à noite apresentei o espetáculo.

Assú foi a maior cidade que o Projeto visitou. E lá também tem grupos de teatro! A turma da oficina foi maravilhosa. Nem senti o cansaço, contaminada pela disposição deles. Depois, todos ajudaram a montar o cenário e ficaram de voltar para ver o espetáculo à noite.  
Oficina e espetáculo foram filmados para um programa chamado Intervalo Cultural, que será transmitido na TV local... Espero receber esse material depois!
O debate após a apresentação foi precioso... Dava gosto de falar, de conversar com aquela gente interessada em teatro... E dava uma felicidade imensa perceber que embarcaram nas histórias de Maria das Quimeras e Ismália.

Agradeço muitíssimo a Jobielson pelo apoio, e também ao Professor Akailson Lennon que nos recebeu na UERN e nos levou para almoçar.


Turma da Oficina de Preparação Vocal após o espetáculo

O cansaço após toda essa jornada era imenso... Mas era um cansaço bom. Sentia meu corpo vivo, e uma enorme satisfação na alma. Missão comprida... mas bem cumprida!

Agradeço ao Programa de Cultura do Banco do Nordeste/BNDES por patrocinar esse projeto. Foi maravilhoso. Sei que levei teatro, poesia, e formação artística para cada cidade. Mas acho que saí ganhando muito mais do que dei... Em troca, recebi muito! Muito carinho, hospitalidade, energia boa... Lições preciosas de persistência, humildade, força e fé, consciência do que é ser artista e sua função na sociedade.

O Projeto De Janelas e Luas acaba aqui. Mas o espetáculo segue vivo, agora muito mais vivo!... Inté!

Mais fotos em: 
https://www.facebook.com/dejanelaseluas  

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Janduís e Assu - Novas datas!

Em razão da estreia do espetáculo "Aboiá", do Arkhétypos Grupo de Teatro, que acontecerá nesse final de semana (3 a 5 de maio), precisarei adiar a visita do Projeto De Janelas e Luas à Janduís para o final de semana seguinte. Como Assu é pertinho de Janduís, farei uma viagem só, de 09 a 12 de Maio.

A programação então será assim:

JANDUÍS
QUINTA (09/05) - Oficina em Janduís das 19h às 22h
SEXTA (10/05) - Continuação da oficina das 09h às 12h / Apresentação do espetáculo às 20h.
ASSÚ
SÁBADO (11/05) - Oficina em Assú das 9h às 12h / Apresentação do espetáculo às 20h.
DOMINGO (12/05) - Continuação da oficina das 9h às 12h.

Aproveito para convidar a tod@s para a estreia do espetáculo "Aboiá"!

3 a 5 de Maio, sempre às 19h, no Barracão Clowns.
R$ 20 inteira e R$ 10 meia

Sinopse:

Uma terra, um boi, um menino... um som gutural, quase um canto se projeta ao longe... um aboiá de um vaqueiro véio... Uma boiada passando e no meio do caminho uma véia pára pra proseá... “Baleia...” Um povo alegre, de muita festa e de muita fé, de muita luta e de pouca água... essa é nossa sina, Matheus embaixador... O Cão e a Morte nos tiram pra dançá... Desgraça! A vida continua... Desgraça... Violência, arapuca... Desgraça! Uma procissão reza a Ave Maria... Os demônios estão à solta e cada qual carrega consigo o peso da sua história... Festa e desgraça no terreiro de baleia... Chuva!!! Vida!! Canto! Aboiá!


Barracão Clowns - Av. Amintas Barros, 4673. Nova Descoberta. Natal - RN. Fone: (84) 3221-1816.


terça-feira, 23 de abril de 2013

É muita beleza nesse sertão!...Viagem para Umarizal - RN

Hoje o céu está mar. Ondas de cor azul-celeste, com nuvens de espuma... Ou espuma de nuvens? De repente uma delas escurece, e gotas de ondas caem do céu-mar. Peixes-pássaros voam ao longe...
As pedras na estrada me dizem que um dia o sertão já foi mar. Um dia já foi mar meu coração. 'Hoje tenho apenas uma pedra no meu peito... Mentira'!... Há uma fonte de água e fogo em minha alma.
(pensamentos rabiscados no caminho para Umarizal)

Vamos "no rumo da venta"! Rumo à Umarizal, primeira cidade do Rio Grande do Norte que o Projeto De Janelas e Luas visita. Levamos conosco um 'GPS Humano': Emanuel Coringa, artista da cidade, que mora em Natal e trabalha em Macau. Ele vai ensinando o caminho e contando histórias de sua terra, de seu grupo e de outros grupos de teatro da região... Aprendi que sua cidade já se chamou Gavião e Divinópolis. Depois virou Umarizal, por causa de uma árvore frondosa que era comum por ali, o umarizeiro.
A paixão com que Emanuel fala do teatro e do sertão, junto com as imagens que vejo na estrada vão me encantando e rabisco 'estupidezes' que aspiram ser 'poetizes' num bloco de papel... 
Os raios de sol por entre as nuvens descendo até a serra parece uma catedral da natureza. Um tronco de árvore parece um homem de chapéu. Tijolos e galhos improvisam pequenos túmulos. Acho que vi umas três ou quatro carcaças de bois pelo caminho... Vi também uma enorme pedra que parecia um boi num restinho de açude... Muitos ex-açudes, muito mato seco... Só não secam os olhos daquela gente, a fé e a força daquele povo... É muita beleza, mesmo em meio a tristeza, nesse sertão.
Passamos por uma placa que dizia: "Santuário Nossa Senhora dos Impossíveis". Nunca tinha ouvido falar nela...
Emanuel conta que na cidade de Patu há a encenação do Auto de Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico. Também nunca tinha ouvido falar nesse homem!... Mas dizem por lá que ele era uma espécie de 'Robin Hood', roubava comboios do governo e distribuía aos pobres. Também era um defensor das mulheres, punindo quem as ultrajasse, ou obrigando homens a casar com aquelas que tivessem abusado.

Quanta história, quanta riqueza! Vontade de escrever tudo, de conhecer mais...

Ficamos hospedadas na casa dos pais de Arlindo Bezerra, ator da Bololô Cia. Cênica, e secretário do Grupo Clowns de Shakespeare. Ele havia me convidado desde o início do projeto, quando soube que Umarizal estava na programação. Mesmo assim, não faltou convite para ficarmos em outras casas... Povo muito hospitaleiro, acolhedor...
Agradeço muitíssimo o carinho dessa família! Obrigada, Seu Arlindo, Dona Francisca, Amanda e sua amiga Aline... agradeço até à Lana (uma poodle muito simpática)! Senti-me em casa, ou melhor, na casa de minha avó (que também é do sertão, de Cajazeiras - PB).
Depois de um café com bolo, fui olhar a rua... Uma menina na casa da frente grita: "Mãe!", e me faz lembrar uma das cenas iniciais de meu espetáculo. A lua está crescente, que é como termina o espetáculo... Sinto que faço parte de tudo ali.

De repente vejo muitos relâmpagos no céu...será que vai chover?...

A oficina aconteceu na Casa de Cultura Popular Palácio do Gavião, na sexta à noite e no sábado pela manhã, com integrantes de dois grupos de teatro da cidade: Cia. Arte e Riso (http://arteriso.blogspot.com.br/) e CulturArte. Corpos dispostos, prontos, conectados com o trabalho, muito respeito, humildade, vontade de aprender, muita paixão pelo teatro...
A tia de Emanuel estava na oficina! Da Paz fazia parte de um grupo de teatro chamado Gaviões de Rua, que existiu por muito tempo em Umarizal. Hoje apóia os grupos dos mais jovens, sua filha também estava lá.

Na sexta à noite faltou energia na cidade, no meio do trabalho! Parar por que? Várias lanterninhas de celulares foram acesas e continuamos... Fiquei imensamente feliz... 
Ao final, me presentearam cantando duas músicas da Cia. Arte e Riso. Aprendi tanto com eles, principalmente sobre comprometimento, sentido de grupo, e sobre a função do artista na sociedade. No próximo final de semana eles vão para Janduís, participar do "Escambito Raízes" (que faz parte de um movimento maior, o Escambo Popular Livre de Rua), organizado pela Cia. Ciranduís (http://ciranduis.blogspot.com.br/). Um movimento que eu também nem conhecia, mas que tem uma história belíssima de "luta e resistência cultural", como eles falam. Estou ansiosa para ir a Janduís também, no primeiro final de semana de maio...

O Gavião Boêmio,
símbolo do movimento Escambo em Umarizal
Chuva! Muita chuva em Umarizal! Que felicidade ouvir alguém dizer: "Ô Mayra abençoada! Trouxe a chuva!"... Se for assim, preciso voltar sempre...

Na Casa de Cultura tem um pé de cajarana que é uma das coisas mais maravilhosas desse mundo! Além de comer várias lá mesmo, eu ainda pedi para trazer uma sacola pra casa!... Hoje fiz suco lembrando de Umarizal, das conversas e risos debaixo do pé de cajarana.

Cajaranas...
Nesse espaço também funciona o Ponto de Cultura "Umari Cultural - Um Rio de Cultura Popular", uma conquista da Cia. Arte e Riso, que tem como objetivo promover e incentivar  iniciativas culturais desenvolvidas na região.

A Casa de Cultura é um espaço fantástico, mas preciso dizer que os responsáveis poderiam olhar de forma mais carinhosa para aquele lugar. O telhado está cheio de buracos, há muitos livros molhados (porque chove lá dentro), espaços sujos, sem lâmpadas, e o auditório onde apresentei tinha muito mofo. Uma pessoa até saiu no meio da apresentação, com uma crise alérgica!

Segunda vez que apresento em palco italiano e cheguei a conclusão que De Janelas e Luas não funciona assim, com o público muito distante. Pelo menos não pra mim... Mas o público parece ter gostado. Me disseram que era algo bem diferente do teatro que eles costumam ver na cidade, geralmente na rua e com muito humor. O auditório estava cheio, e os aplausos e comentários demonstravam respeito e carinho pelo meu trabalho. 
Agradeço ao pessoal da Rádio Fraternidade FM 104.9 que ajudou bastante na divulgação; a Rose Lotte e Emanuel Coringa que fizeram contato com a rádio; a todos que compartilharam o cartaz no facebook, e chamaram familiares e amigos para estarem lá.
Depois da apresentação, aconteceu um Sarau no pátio da Casa de Cultura, os Grupos CulturArte e Arte e Riso apresentaram números de palhaço, poesias, canções, enquanto vendiam lanches para arrecadar dinheiro para a viagem para Janduís. Noite bonita, céu estrelado depois de muita chuva, alfaia, pandeiro, coco de roda, risos, troca, arte...

Na viagem de volta, a paisagem é outra! Tudo verde, açudes parecem reaparecer... Levo uma pequena "feira" de volta pra casa: queijos, feijão verde... E, além das cajaranas, ainda ganhei um pote de doce de gergelim - mais conhecido como 'espécie' - da avó de Emanuel!

Abundância! Umarizal transborda beleza, arte, cajaranas!... Como eu ainda não tinha conhecido tudo isso? E tem muito mais que ainda preciso conhecer!...

Fizemos uma rápida parada em Janduís. Estava acontecendo um torneio de futebol entre os grupos de teatro da região!... Despedi-me dizendo: Esperem por mim, que eu chego já!
Rumo à Janduís!...

Oficina de Preparação Vocal

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Claustrofobia e Caos-presentação em Itabaiana - PB

Terceira viagem do Projeto "De Janelas e Luas" com o patrocínio do Programa de Cultura do Banco do Nordeste / BNDES - Edição de 2012.
Destino: Itabaiana - PB. Terra de José Lins do Rego, de Sivuca, do compositor Adeildo Vieira, da atriz Palmira Palhano, de Jessier Quirino (que nasceu em Campina Grande, mas diz que foi adotado por Itabaiana)...
Sílvia Rodrigues, na produção e na direção, nos leva em um carro alugado. Dessa vez decidimos não confiar no GPS e nos guiar pelo mapa conseguido na internet, nas placas na estrada e, principalmente, nas informações que as pessoas generosamente nos davam pelo caminho.

O contato com o ser humano é o que tem sido mais encantador em nossas viagens (até então). Não encontramos nenhuma pessoa na estrada que não fosse prestativa. Elas param o que estão fazendo, levantam-se de suas cadeiras, e se preocupam em nos ensinar o caminho. Divirto-me imitando o sotaque, os timbres diversos, a forma de ser e de se expressar de cada um. Cada ser é único, por isso é belo.
É bem verdade que alguns 'enfeiam' suas almas com grosseria, prepotência, má educação, falta de respeito...falarei sobre isso mais adiante.
Nossas viagens são sempre "com emoção". Erramos algumas entradas, a noite chegava e a estrada tinha pouca ou nenhuma iluminação. Mesmo assim, chegamos em Itabaiana no horário combinado. Às 19h30 começamos a oficina.
Silvinha participou bastante dessa oficina, e trouxe uma contribuição importante. Voz é Corpo, sempre procurei trabalhar nessa perspectiva. Mas ter uma bailarina/capoeirista trabalhando a parte corporal na oficina é outra história! Os alunos saíram ganhando, porque trabalhamos o ser por inteiro, tudo "junto e misturado": corpo-voz-energia-ação, um ator pronto para entrar em cena.
Fomos recebidas pelo pessoal do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Agradecemos muitíssimo o carinho e apoio de todos, principalmente de Edglês Gonçalves, que fez tudo que podia para que estivéssemos ali.
O grupo de teatro está parado, assim como em Nova Palmeira (a cidade que visitamos anteriormente). Eles possuem o desejo de continuar, mas não sabem como. Um deles me disse que chegaram a ensaiar até na cisterna de sua casa!

Claustrofobia no hotel! Quarto e banheiro minúsculos...e nenhuma janela!...Como sobreviver? Noite difícil... Manhã de alívio, café da manhã gostoso, oficina muito proveitosa.

A oficina foi curta (como todas têm sido, infelizmente não há como ser diferente), mas intensa. O encerramento foi lindo...cantamos, dançamos, trocamos olhares, vida, energia...Achei que tivesse colocado pra filmar, mas o encerramento não foi filmado. Segundo Silvinha, as coisas mais significativas a gente só vivencia e guarda na memória. Elas geralmente não são registradas pela tecnologia.

Em compensação, filmamos a noite de apresentação...ou melhor, a CAOS-PRESENTAÇÃO!
Fomos informadas de que apresentaríamos na Câmara Municipal, e que haveria outra programação na mesma noite: um grupo de chorinho, o lançamento de um livro, a entrega de certificados... Eu solicitei que o espetáculo acontecesse antes de tudo, pois tinha receio de vincular o nome do Banco do Nordeste a um outro evento. Além disso, gostaria de sair cedo e dormir em João Pessoa, pra visitar minha família. Avisaram-nos então que o espetáculo havia sido marcado para as 19h.
O espaço era bem pequeno, não pudemos montar o chão, colocamos apenas as ribaltas. Também não vesti o figurino. Fiquei estudando o espaço, vendo que teria que diminuir minhas ações.
Esperamos até 19h45 e só haviam chegado os participantes da oficina. Pedi que se sentassem nas primeiras cadeiras e decidi começar.Após o início do espetáculo, um culto também foi iniciado ao lado da Câmara, e um carro começa a tocar forró do outro lado. Os convidados da outra programação começam a chegar e ficam indignados ao me ver apresentando ali. Sílvia está na porta, entrega folders e pede silêncio. Escuta reclamações, pessoas importantes exigem explicações... Meu pequeno público permanece fiel, não tiram os olhos de mim...escolho permanecer fiel a eles também, não parei o espetáculo... Não sei como, mas consegui ir até o final. Foi a apresentação mais difícil da minha vida...espero não passar por isso de novo.
Após o término, Sílvia explica o que viemos fazer ali. Algumas pessoas importantes vieram falar comigo, explicando que não sabiam que meu espetáculo estava marcado para as 19h. Mas não me pediram desculpas. Eu não me importaria com culto, com forró, com a porta se abrindo e as pessoas entrando. Elas poderiam entrar e, ao perceber um espetáculo acontecendo, sentariam e assistiriam em silêncio, ou sairiam e esperariam lá fora. O que me causou profunda tristeza foi a enorme falta de respeito e educação, e nenhuma consideração com o meu trabalho. Quando falei isso para um deles, ouvi a famosa frase: "Você sabe com quem está falando?"... Arrumamos tudo e fomos embora. Os amigos/alunos da oficina nos ajudaram. Com abraços apertados, nos despedimos. 
  
Ouvi mais de uma vez, e de mais de um deles, a seguinte frase: "Itabaiana já teve tudo, e agora não tem nada". Acho que não é bem assim... Acho que Itabaiana tem tudo, mas talvez não dê o devido valor ao que possui.
Queria que meus olhos fotografassem ou filmassem esses dias. A Igreja matriz é belíssima. A tradicional bolacha rainha é maravilhosa. Na loja do Mangaio dá vontade de levar tudo: sinos, chocalhos, apitos, estilingue, tamboretes, sandálias e chapéus de couro... Queria que meus ouvidos gravassem o som do trem passando, dos bois, das conversas nas calçadas...
Queria ter registrado o momento belíssimo vivenciado no final da oficina. Queria ver os artistas que conheci sendo valorizados e desejo voltar em Itabaiana em um outro momento, e ver um grupo de teatro ativo, com o apoio de toda a cidade.


Oficina no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar

Apresentação na Câmara:
sem chão, sem figurino, quase sem respeito...
mas com bastante força, até o final.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Segunda Janela: Nova Palmeira - PB

Encantamento. Acho que essa é a palavra que define essa viagem para mim.

Fiquei muito feliz porque Gabriela, minha filha, foi comigo dessa vez. Lembrei de quando viajava com meus pais pelo Brasil apresentando espetáculos, participando de festivais, conhecendo lugares e pessoas especiais. Foram experiências marcantes, inesquecíveis, e Gabi ainda não tinha vivenciado isso.
Foi difícil chegar em Nova Palmeira. O GPS decidiu nos levar para Nova Floresta, e o carro alugado se recusava a ligar de manhã cedo. A primeira placa com o nome de Nova Palmeira só apareceu quando passávamos por Picuí. Euforia! Finalmente a certeza de estar no caminho certo!  
Chegando lá, fomos recebidas pelas pessoas que fazem o CENEP - Centro de Educação Popular, uma ONG que já tem 23 anos de existência e revolucionou a cidade. Sinceramente, eu nunca tinha visto uma biblioteca tão linda como a do CENEP em nenhuma escola que estudei ou que minha filha estudou. De encher os olhos...eu enchi os olhos d'água.

A oficina foi bonita, Silvinha ajudou muito preparando os corpos para o trabalho.
Foi a primeira vez que apresentei esse espetáculo em palco italiano... prefiro o público mais perto, mas parece que todos gostaram. No debate após o espetáculo ouvi muitos comentários positivos, inclusive de um italiano que mora no sertão e gosta de teatro e de capoeira!
Festa após o debate, comida gostosa, música de primeira com Amanda Cunha no violão (cantora que conheci em João Pessoa, que é de Nova palmeira, e surpreendentemente estava na plateia!) e Silvinha no pandeiro. 
Já na hora de ir embora, quando eu pensava que já tinha visto muito, fomos levadas à casa de um luthier! Eder Medeiros abriu sua casa para nós e nos mostrou instrumentos incríveis feitos de madeira. Ah, se eu tivesse dinheiro...voltaríamos cobertas de instrumentos dentro do carro!...
Agradeço de coração a todos que nos receberam como se fôssemos da família.
Fui embora com um saco de umbu na mão e um desejo enorme de voltar no coração.

Pena que tenha sido tão rápido... Mas voltaremos, temos que voltar.


Oficina de Preparação Vocal


O mundo precisa conhecer Nova Palmeira!
Vejam:

Vídeo sobre o CENEP:

Vídeos de Ed Luthier:

segunda-feira, 4 de março de 2013

Primeira Janela: Bananeiras - PB

"Tempo que navegaremos não se pode calcular"...
Caímos na estrada, Sílvia Rodrigues e eu, nessa sexta-feira, rumo à Bananeiras - PB. Foi nossa primeira viagem com o Projeto "De Janelas e Luas", patrocinado pelo Programa de Cultura do Banco do Nordeste / BNDES.
Silvinha foi um anjinho que apareceu na minha vida, muito mais que produtora, uma grande amiga. Tivemos dias muito corridos pra conseguir deixar tudo pronto pra viajar. Nem acreditei quando vi as coisas todas na sala da minha casa: figurino (obrigada, Fátima Rocha!), o chão do espetáculo (obrigada, Coletivo Negro Charme!), as ribaltas (obrigada, Ronaldo Costa!) e o material gráfico (obrigada, Estúdio P!). E muitíssimo obrigada, Silvinha!
A viagem começou um tanto atrapalhada...o motorista que contratamos não sabia o caminho e deu um "arrodeio" enorme! Mas a tensão da viagem foi esquecida depois que fomos tão bem recebidas naquela cidade linda.
Agradecemos muito o apoio da AJAC - Associação de Jovens da Arte e Cultura e da Secretaria de Cultura e Turismo de Bananeiras. Foi uma acolhida maravilhosa.
No sábado, pela manhã e à tarde, eu ministrei uma oficina de Preparação Vocal para atores da cidade. Foram horas de trabalho muito produtivas, conheci muita gente jovem com vontade de aprender, de aproveitar aquela oportunidade - já que a formação em teatro e, principalmente, na área de voz - não é tão fácil por lá. Senti-me extremamente feliz por ter experiências importantes pra compartilhar com eles.
Preciso relatar que a "anjinha" Silvinha me salvou mais uma vez no início da oficina. Algumas crianças apareceram, e seria complicado trabalhar com um grupo tão heterogêneo... Sílvia levou então as crianças todas para outra sala e deu aula de capoeira para elas! Ensinou também algumas canções, pra que jogassem e cantassem ao mesmo tempo - afinal, o foco do projeto é a preparação vocal. Perfeito!
Não sei como, mas ela ainda conseguiu filmar as duas oficinas ao mesmo tempo! Em breve, faremos uma edição com tudo: oficina, espetáculo e debate.

No meio da tarde, três pessoas do Arkhétypos Grupo de Teatro chegaram por lá pra nos ajudar e participar da estreia do Projeto. Muito obrigada, queridos Robson, Marília e Paul.
À noite, apresentei o espetáculo... A primeira vez com tudo (figurino, chão, iluminação)! Foi emocionante...como finalizar um quebra-cabeças. Após o espetáculo, pedi ao público que permanecesse para um debate. Foi muito bom ouvir elogios, preciosos comentários e diferentes interpretações do espetáculo. Agradeço a todos que estiveram lá.
Espero voltar mais vezes à Bananeiras...


Foto: Robson Haderchpek
Vejam mais fotos em:


     

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Luas na estrada!

"Ancorar é outro falar, tempo que navegaremos não se pode calcular"!


As viagens patrocinadas pelo Programa BNB de Cultura vão começar!

Datas:
1 a 3 de Março: Bananeiras - PB
15 a 17 de Março: Nova Palmeira - PB
5 a 7 de Abril: Itabaiana - PB
19 a 21 de Abril: Umarizal - RN
3 a 5 de Maio: Janduís - RN
17 a 19 de Maio: Açu - RN


O projeto intitulado “De Janelas e Luas” foi contemplado pelo Programa de Cultura Banco do Nordeste / BNDES – Edição de 2012. O objetivo do projeto é visitar três cidades do interior da Paraíba (Bananeiras, Nova Palmeira e Itabaiana) e três do interior do Rio Grande do Norte (Umarizal, Janduís e Açu), levando as histórias de Maria das Quimeras e Ismália, e uma oficina de Preparação Vocal para atores e/ou arte-educadores de cada cidade.

Ficha técnica:

Criação: Mayra Montenegro e Eleonora Montenegro
Inspirado no poema “Ismália”, de Alphonsus de Guimaraens.
Atuação: Mayra Montenegro
Direção: Eleonora Montenegro 
Direção Musical: Eli-Eri Moura
Concepção de Luz: Robson Haderchpek
Confecção das Ribaltas: Ronaldo Costa
Concepção de Figurino: Mayra Montenegro 
Confecção de Figurino: Fatima Rocha
Cenário e adereços: Mayra e Eleonora Montenegro
Confecção do banquinho: Martinho Roberto Moura
Confecção do Chão: Coletivo Negro Charme
Projeto Gráfico: Estúdio P Fotografia e Criatividade
Produção: Sílvia Rodrigues 
Realização: Arkhétypos Grupo de Teatro

Patrocínio: Programa de Cultura Banco do Nordeste / BNDES – Edição de 2012.