sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Vídeo caseiro...



Edição caseira com fotos do espetáculo "De Janelas e Luas", feita por Eleonora Montenegro. As fotos são de Tiago Lima e foram tiradas no dia 12 de Agosto de 2012, no Circuito Ribeira. A última foto é de Leila Bezerra, tirada no Departamento de Artes da UFRN.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Luas na CIENTEC


Convido a tod@s para assistirem "De Janelas e Luas", que será apresentado na XVIII CIENTEC - Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura da UFRN!

Dia: 25 de Outubro de 2012 (quinta-feira)
Local: Auditório Onofre Lopes - Escola de Música da UFRN
Horário: 19h

ENTRADA FRANCA!

Confira a programação completa no site:
http://www.nac.ufrn.br/cienteccultural/programacao.html

Luas na ABRACE

Na semana passada estive no VII Congresso da ABRACE - Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, que aconteceu em Porto Alegre - RS. Apresentei alguns trechos do espetáculo "De Janelas e Luas" no GT Processos de Criação e Expressão Cênicas, e falei sobre a pesquisa de mestrado que deu origem ao espetáculo.

Foram dias importantes, pois conheci professores de voz de várias universidades, e soube que acontecerá o  II Seminário A Voz e a Cena, de 14 a 17 de Novembro de 2012, em Florianópolis.
Veja todas as informações e faça sua inscrição no site:
http://vozecena.wix.com/vozecena#!home/mainPage


Discussão no GT Processos de Criação e Expressão Cênicas


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Luas na Ribeira

Ainda sem figurino e iluminação, mas com muita emoção, vontade, frio na barriga e gosto de gás, o experimento cênico "De Janelas e Luas" vai deixando de ser experimento e, aos poucos, se transformando em espetáculo.
No dia 12 de Agosto de 2012, no Espaço À Deriva (em frente à Casa da Ribeira), fez sua primeira apresentação sem o caráter de "ensaio aberto", participando do Circuito Cultural Ribeira.
O espaço era pequeno e logo ficou lotado de alunos, amigos, meu pai e minha avó, desconhecidos, crianças, adolescentes, adultos e idosos... Durante os mais ou menos 30 minutos de duração do espetáculo ficamos todos juntos, em um encontro de almas... Suor, risos, lágrimas, suspiros, olhos, bocas e corações abertos. Muito obrigada a todos os que estiveram presentes, e aos queridos do grupo Atores à Deriva, pelo apoio.
Não podia deixar de agradecer também a Robson Haderchpek, pela ajuda de sempre, paciência e carinho; ao meu pai, Buda Lira, e minha avó, Dona Maria, por estarem ali comigo, com seus olhos de amor; e à minha diretora-mãe, Eleonora Montenegro, que se fez presente em pensamento e telefonemas.


Foto: Tiago Lima
Veja mais fotos da apresentação aqui: http://www.flickr.com/mayramontenegro


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dia 12/08 na Ribeira!



Mais uma! Agora anuncio que "De Janelas e Luas" foi um dos selecionados no Edital de Ocupação Artística do Circuito Cultural Ribeira 2012/2013!

O Circuito Cultural Ribeira é um edital de ocupação artística - música, artes cênicas, artes visuais e performance - promovido pela Casa da Ribeira (Natal - RN).

A primeira apresentação no circuito será no dia 12 de Agosto (domingo), no ESPAÇO À DERIVA, na Rua Frei Miguelinho, às 17h.




terça-feira, 24 de julho de 2012

"Não há luar como este do sertão"...





É com enorme satisfação que comunico que o projeto intitulado “DE JANELAS E LUAS” foi contemplado pelo Programa de Cultura Banco do Nordeste / BNDES – Edição de 2012!

Maria, a contadora de histórias, sairá pelo interior da Paraíba e do Rio Grande do Norte, contando as histórias de Maria das Quimeras e Ismália.

E eu, Mayra, compartilharei os resultados de minha pesquisa de mestrado ministrando uma oficina de preparação vocal em cada cidade.

Em breve, divulgarei as cidades escolhidas e o cronograma de viagem.
Enquanto não chego lá, sigo cantando: "Nao há, ó gente, ó não, luar como este do sertão"...


           

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Suspiros nas Janelas


É com muita alegria que coloco aqui os dois primeiros depoimentos, de duas pessoas queridas, sobre o exercício "De Janelas e Luas"!


“Sou eu mesma, como vedes; sim, sou eu aquela verdadeira dispenseira de bens, a que os italianos chamam Pazzia e os gregos Mória. E que necessidade havia de vo-lo dizer? O meu rosto já não o diz bastante? Se há alguém que desastradamente se tenha iludido, tomando-me por Minerva ou pela Sabedoria, bastará olhar-me de frente, para logo me conhecer a fundo, sem que eu me sirva das palavras que são a imagem sincera do pensamento. Não existe em mim simulação alguma, mostrando-me eu por fora o que sou no coração ” (Elogio a Loucura - Erasmo de Rotterdam).


Gracias, Mayra Montenegro, pelo lindo espetáculo. Brilhas lirismos além mar, nos encantos de janelas e luas.


Eunice Boreal (estudante de filosofia e artista que transita pelo mundo do teatro, música, performance, cinema, poesia e muito mais!... Leiam-na no blog: http://www.eunasce.blogspot.com/)


* * * * * * *


Parabéns à Mayra Montenegro e sua mãe Eleonora, pelo belíssimo trabalho de conclusão de Mestrado, em Artes Cênicas, Música, e outras artes. Texto, forma, sons, ruídos, tudo muito lindo. Mãe e filha dialogando, passando uma para outra sua arte, seu canto e sua trajetória de palco e sentimento. Saí da apresentação movida à beleza e expressão dos olhos grandes da atriz e da personagem... Lembrei-me de Martha Medeiros e seu poema:


“Minha bisavó reclamava que minha avó era muito tímida
minha avó pressionou minha mãe a ser menos cética
minha mãe me educou para ser bem lúcida
e eu espero que minhas filhas fujam desse cárcere
que é passar a vida transferindo dívidas”


Ana Adelaide Peixoto Tavares (Doutora em Teoria da Literatura pela UFPE e professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPB. Leiam-na no blog: http://www.wscom.com.br/blog/anaadelaide)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Entre a fala e o canto...

Sempre que construía partituras vocais em um processo criativo, intuitivamente explorava parâmetros musicais para melhor dizer um texto. Pensava sempre em melodia, ritmo, andamento, dinâmicas de intensidade, timbre...como essenciais e inerentes à fala teatral.
Quando dei início a esta pesquisa de mestrado, encontrei a fundamentação teórica para o que acreditava e fazia. Estudando, fazendo, experimentando, aplicando o conhecimento adquirido...o que antes era feito de forma mais intuitiva, ficou mais forte, claro e preciso. Buscar na música, nos parâmetros tão bem sistematizados pela música, é um precioso recurso para o ator construir sua voz para a cena. É como se ele cantasse, mas sem cantar mesmo...entende?
Descobri que a fala é mesmo música! Naturalmente, a fala cotidiana tem uma melodia - a entonação; tem dinâmicas de intensidade - a acentuação, a ênfase que damos a uma sílaba ou palavra; tem ritmo e tem o timbre de cada voz. De certa forma, pode-se compreender que a fala é formada do mesmo material básico com que é formada a música. O método de educação musical de Carl Orff utiliza a fala como um dos elementos fundamentais de suas propostas pedagógicas. Para Orff, a fala pode ser geradora do ritmo e da música, pode ser ferramenta para ensinar os parâmetros básicos da música.    
Há até quem diga que música e língua possuem uma origem comum. Para o musicólogo F. B. Machê a palavra seria uma música especializada, enquanto a música representaria um pensamento geral, e a poesia se encontraria em um ponto de intersecção entre os dois planos. Murray Schafer também explora criativamente a fala com seus alunos, é só dar uma olhada em seu livro "O Ouvido Pensante", no capítulo intitulado "Quando as Palavras Cantam".
Mas sabe o que acontece? As pessoas foram perdendo essa musicalidade natural da fala ao longo do tempo. Encontrei também muita gente que falava sobre isso. Alguns dizem que é consequência do avanço da civilização. Que quanto mais civilizada se torna uma língua, menos parecida com o canto ela fica, com menos paixão... O filósofo Russeau diz que música e palavra teriam sido inseparáveis num passado longínquo, quando o homem poderia expressar plenamente suas paixões. Mas, com o processo civilizatório, a língua foi perdendo seu traço vital e orgânico, sua música...e passando a ter função mais comunicativa do que expressiva.
Talvez o som em linha reta dos motores das máquinas foi provocando uma voz também em linha reta, com a curva melódica cada vez menor... Schafer fala sobre isso, Elenora Montenegro também.
Sara Lopes diz que a Revolução Industrial, a Revolução Tecnológica, o desenvolvimento da capacidade de ler e escrever e a influência da imprensa diminuíram a importância e a necessidade da voz. A oralidade mal encontra seu espaço numa paisagem sonora mergulhada em ruídos. A linguagem cotidiana no século XX é uma ferramenta ligada ao fazer, ao pensamento racional. As palavras estão desligadas dos instintos, limitando a imaginação e gerando um discurso vazio. Para Lopes, a sociedade precisa de vozes que se esquivem do desgaste do utilitário. Por isso, a importância do teatro, dessa arte que traz, no calor das presenças simultâneas, o poder da voz poética.
Sim, a voz poética... uma voz que é diferente da fala cotiana. Na fala cotidiana, de modo geral, os recursos musicais da voz são pouco utilizados (ou não há o uso intencional e planejado deles). Mas, quando a fala é elemento de representação, quando ela é manifesta em uma comunicação poética, explora intencionalmente todas as potencialidades da voz.
Uma comunicação poética é aquela em que a transmissão e a recepção passam pela voz e pelo ouvido, no encontro entre um locutor e um ouvinte. E sua mensagem, o que é dito, vai além de um discurso comum no qual se preza pelo significado das palavras. No uso comum da língua, a musicalidade não é tão pertinente, basta que o discurso seja entendido. Já no canto, a voz tem total liberdade e não se submete à linguagem, mas, mesmo assim, exalta a palavra, intensifica sua força. O dizer de uma comunicação poética se encontra em algum lugar entre a fala e o canto. Paul Zumthor é quem diz isso, e Sara Lopes vai buscar nele a base para a sua ideia de Vocalidade Poética, e escreve uma tese intitulada "Diz Isso Cantando".
Mário de Andrade disse isso antes deles dois, afirmando que “quando a palavra falada quer atingir longe, no grito, no apelo e na declamação, ela se aproxima caracteristicamente do canto e vai deixando de ser instrumento oral para se tornar instrumento musical”.
E por aí vai...poderia citar diversos outros autores, como Heloísa Valente e Marlene Fortuna, e grandes encenadores do século XX (Stanislavski, Meyerhold, Barba, Peter Brook...)...
Que maravilhosa descoberta! A fala do ator é mesmo música!
Mas dizer cantando...como fazer isso?... Que tal começar estudando música? O que é melodia, o que é ritmo?...Por que um compositor escolheu esses determinados sons pra compor tal música? O que sinto quando ouço essa música? E aí depois a gente pensa em construir a fala como se estivesse compondo música... Melodia, ritmo, dinâmicas de intensidade, a escolha do timbre para cada personagem... Se tem mais de uma voz em cena, já dá pra pensar também em harmonia, textura...
Foi assim que o exercício "De Janelas e Luas" foi construído. Há um "pensamento musical" por trás de cada palavra, frase, movimento, cena...


Ontem aconteceu o primeiro ensaio aberto. Muita emoção, frio na barriga, tremedeira...foi maravilhoso! Muito obrigada a todos que estiveram lá, pelo carinho e pelas preciosas contribuições. Segue abaixo algumas fotos tiradas do vídeo. Espero em breve postar fotos melhores.


P.S: Esse não é um texto acadêmico, por isso não coloquei referência nenhuma. Mas, se alguém se interessar, posso enviar depois.













quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Proposta de Encenação

Contar histórias... Coisa esquecida nos nossos dias e tão essencial para as nossas almas. O sociólogo Mircea Eliade lembra que nos campos de concentração de Stalingrado as pessoas gastavam a sua mísera reserva de alimentos em troca de histórias, de romanças e canções. Essas histórias estavam cheias de mitos, cheias de nostalgias[1]. Essas pessoas já não precisavam de alimentos apenas para os corpos físicos, mas principalmente de um alento em suas almas. Assim nos adverte também o psicólogo Carl Jung quando afirma ser o desenvolvimento da imaginação uma necessidade intrínseca do ser humano, provocando a falta desta uma total desarmonia, desencontro e a perda da própria alma. Segundo ele, os dramas do mundo moderno derivam de um desequilíbrio profundo da psique (tanto individual quanto coletivo), provocado em grande parte pela esterilização crescente da imaginação. Ter imaginação é ver o mundo em sua totalidade. Assim sendo, o primeiro pensamento que me veio à mente ao dar início ao trabalho de montagem com Mayra Montenegro foi a linha primeira pensada pela mesma quando da entrada no Mestrado em Artes Cênicas na UFRN, ou seja, O Canto do Ator, depois melhor definida como “Um Ator que Canta um Conto – A Utilização de Parâmetros Musicais na Voz do Ator”.  
Há vários anos venho exercitando/investigando essas imagens sonoras. Vários autores, várias imagens, muitas linhas de pesquisa. A voz teatral, poder-se-ia assim dizer, é a voz que traz na sua origem primeira o germe da ação, do querer dizer mais do que simples palavras, do extrapolar o dia a dia comum, do exercitar-se além, do recriar o ambiente sonoro com a finalidade de atingir determinado parâmetro de efeito ou comunicação. Ultrapassar as letras simbólicas, transformadas em palavras e frases, com o gesto teatral, a música, a dança, o silêncio, a expressão do olhar, o canto da voz, a intenção, o arfar, a pulsação da palavra - coração, o como dizer essas imagens e transformá-las em ação. A voz - ação que assume cor, cheiro, luminosidade, energia.  Esta proposta de direção vem justamente contribuir com a investigação da atriz no seu trabalho de construção de imagens, poemas e sonoridades, explorando a sua “música pessoal” (histórias de vida, memórias latentes, corpo físico e emocional), reestruturando e organizando esses materiais para a conta- ação da história final. Fazendo uso de alguns adereços mínimos e essenciais, o foco principal é a expressividade do corpo e da voz que canta um conto. Com o público bem próximo da intérprete, não necessitando de um palco convencional, esperamos que possa essa história também penetrar na alma de todo(a)s que assistirem, fazendo com que as reflexões possam enriquecer o imaginário de cada um(a), assim como foi de extrema riqueza este processo para a nossa vida.

Eleonora Montenegro.



[1] ELIADE, Mircea. Imagens e Símbolos: ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso. Tradução de Sonia Cristina Tamer São Paulo: Martins Fontes Editora Ltda, 1996.